Code Vein II expande o soulslike anime com viagem no tempo.

by Weslei
4 Minutos de Leitura

Desde seu anúncio, Code Vein II deixou claro que não queria apenas repetir a fórmula do primeiro jogo. A sequência amplia o escopo da franquia ao apostar em um mundo mais aberto, sistemas reformulados e, principalmente, uma narrativa centrada em viagem no tempo. A ideia é ambiciosa, mas a execução oscila entre momentos interessantes e decisões que comprometem o ritmo da experiência.

Desenvolvido pela Bandai Namco Studios, o jogo mantém a identidade soulslike com estética anime, mas tenta se posicionar como uma opção mais acessível dentro de um gênero conhecido por sua rigidez.

Uma história épica que nem sempre envolve

A trama se passa em um mundo pós-apocalíptico à beira da destruição. No passado, um grupo de heróis se sacrificou para selar uma grande ameaça. Com o enfraquecimento desse selo ao longo dos anos, cabe ao protagonista, ressuscitado por Lou, viajar ao passado para alterar eventos que levaram ao colapso do futuro.

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No papel, a proposta é forte. Na prática, porém, a narrativa tem dificuldade em criar envolvimento emocional. O protagonista, criado pelo jogador, reage pouco aos acontecimentos, o que enfraquece o impacto das decisões e das relações construídas ao longo da jornada. Mesmo com temas como sacrifício, destino e responsabilidade, a história raramente atinge o peso que sugere.

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Ainda assim, a mecânica de revisitar o passado funciona como estrutura para apresentar heróis, parceiros e chefes marcantes, o que ajuda a sustentar o interesse até o fim.

Combate familiar, mas mais permissivo

Code Vein II segue a cartilha clássica dos soulslike: gerenciamento de estamina, leitura de padrões inimigos, pontos de descanso que ressuscitam adversários e recursos de cura limitados. Cada passo precisa ser pensado, especialmente em confrontos contra chefes e mini-chefes.

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A diferença está no tom mais indulgente. O jogo pune erros, mas oferece mais ferramentas para se recuperar, principalmente por meio do sistema de parceiros. Esses aliados participam ativamente das batalhas, concedem bônus e até salvam o jogador de uma morte certa, funcionando como uma segunda chance em momentos críticos.

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Ainda assim, o jogo evita que o parceiro resolva tudo sozinho. O dano causado por ele só se concretiza quando o jogador participa ativamente do combate, o que mantém o envolvimento direto nas lutas.

Builds flexíveis e muitas opções de estilo

Um dos pontos mais interessantes está na construção de personagem. Subir de nível aumenta todos os atributos de forma conjunta, enquanto os códigos de sangue definem o verdadeiro estilo de jogo. Eles podem ser trocados a qualquer momento, permitindo experimentar builds diferentes sem punições severas.

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As armas oferecem conjuntos próprios de habilidades, que vão desde ataques diretos até buffs temporários. O uso desses recursos exige atenção, já que gastar pontos demais pode deixar o jogador vulnerável. Além disso, equipamentos defensivos permitem bloquear ou aparar golpes, oferecendo alternativas à esquiva constante.

Esse conjunto torna o combate variado e adaptável, incentivando testes constantes até encontrar um estilo que realmente funcione.

Mundo aberto funcional, mas pouco inspirador

Apesar de adotar uma estrutura mais aberta, Code Vein II continua sendo guiado por missões. A exploração depende da ativação de pontos específicos que revelam mapas completos, masmorras e áreas secundárias.

A moto surge como ferramenta para atravessar longas distâncias, mas sua utilidade prática é limitada. Para explorar com atenção, encontrar segredos e enfrentar inimigos, o deslocamento a pé continua sendo a melhor escolha. Visualmente, os cenários cumprem sua função, mas raramente impressionam ou convidam à exploração espontânea.

Estilo visual forte, mas repetição evidente

O design de personagens mantém o charme da franquia, com trajes estilizados, contrastes de branco, preto e dourado e uma estética que remete a criaturas quase divinas. A customização é ampla e permite criar personagens bastante únicos.

Em contrapartida, os inimigos comuns sofrem com pouca variedade visual, diferenciando-se mais pelas armas do que pelo conceito. Os chefes se destacam e entregam os momentos mais memoráveis, mas não são suficientes para mascarar a repetição ao longo da campanha.

Interface confusa e problemas técnicos

Com tantos sistemas, menus e recursos, a interface acaba sendo pouco intuitiva. Não é raro esquecer onde acessar determinadas opções ou se perder em submenus mal organizados.

A otimização também pesa negativamente. Quedas de desempenho e pequenos travamentos prejudicam uma experiência que exige precisão. Em um soulslike, qualquer atraso compromete o combate e gera frustração, algo que se repete mais vezes do que deveria.

Vale a pena?

Code Vein II acerta ao oferecer combate acessível, builds flexíveis e boas ideias narrativas, mas tropeça na repetição, na falta de impacto emocional e nos problemas técnicos.

Para fãs do gênero ou para quem quer uma porta de entrada menos punitiva nos soulslike, o jogo diverte e cumpre seu papel. Para quem busca refinamento técnico e maior consistência, a sensação é de potencial desperdiçado.

Code Vein II está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC.

Além disso, Code Vein II pode ser adquirido na Nuuvem, parceira do Anexo Geek.

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Esta análise foi realizada no Ps5 com uma cópia fornecida pela Bandai Namco

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