Jogos independentes costumam encontrar espaço no mercado ao apostar em conceitos diferentes dos grandes lançamentos. Em vez de competir diretamente com produções multimilionárias, muitos estúdios preferem investir em ideias criativas capazes de oferecer experiências únicas aos jogadores.
É exatamente esse o caso de Fading Echo, novo RPG de ação desenvolvido pela Emeteria. Misturando exploração, combate, plataformas, quebra-cabeças e viagens entre realidades paralelas, o jogo apresenta uma proposta bastante interessante desde os primeiros minutos.
A aventura protagonizada por One consegue criar momentos memoráveis graças ao seu sistema elemental e aos desafios inteligentes espalhados pelo mundo de Corel. No entanto, algumas escolhas envolvendo a exploração impedem que o título alcance um patamar ainda mais elevado.
As mecânicas elementais são o grande diferencial de Fading Echo
A principal força do jogo está na forma como suas mecânicas foram construídas.
One possui a capacidade de assumir uma forma líquida e absorver diferentes propriedades encontradas nos cenários. Água, fogo, vapor, resíduos tóxicos e a misteriosa Corrupção do Paradoxo não servem apenas para causar dano aos inimigos, mas também alteram completamente a movimentação e a interação com o ambiente.

Cada elemento possui funções específicas. O vapor permite alcançar áreas mais altas através da flutuação, enquanto os resíduos tóxicos aumentam a mobilidade em determinadas situações. Já a Corrupção do Paradoxo se torna fundamental para resolver alguns dos desafios mais complexos da campanha.
O resultado é um sistema que incentiva constantemente a experimentação. Em vez de simplesmente repetir habilidades tradicionais de combate, Fading Echo transforma seus elementos em ferramentas utilizadas em praticamente todos os aspectos da aventura.
Os quebra-cabeças entregam os melhores momentos da campanha
Se existe um consenso entre as análises do jogo, é que os puzzles representam o ponto mais forte da experiência.
Grande parte da progressão depende da capacidade do jogador de entender como cada elemento funciona e como eles podem ser combinados para abrir novos caminhos.

Os desafios raramente se limitam a pressionar interruptores ou movimentar objetos. Em muitos casos, é necessário alternar rapidamente entre formas elementais, utilizar portais dimensionais e observar cuidadosamente o cenário para encontrar a solução correta.
A sensação de resolver um quebra-cabeça mais complexo é extremamente satisfatória, principalmente porque o jogo costuma confiar na inteligência do jogador em vez de entregar respostas prontas.
Essa abordagem faz com que cada nova habilidade desbloqueada amplie as possibilidades de exploração e resolução de desafios.
Corel apresenta um universo interessante e cheio de mistérios
A história se passa em Corel, um planeta que já foi extremamente próspero graças ao uso de uma poderosa fonte de energia capaz de moldar a realidade.
Com o passar do tempo, a disputa pelo controle desse recurso desencadeou uma catástrofe que destruiu os oceanos, transformou boa parte do mundo em desertos e fragmentou o espaço-tempo em múltiplas realidades paralelas.

É dentro desse cenário que acompanhamos a jornada de One, uma jovem que descobre possuir habilidades especiais e acaba se envolvendo diretamente na luta contra a Corrupção do Paradoxo.
Embora a narrativa siga algumas estruturas bastante conhecidas do gênero, a construção do universo consegue manter o interesse durante toda a campanha. Os mistérios envolvendo o passado de Corel, a origem da corrupção e as relações entre os personagens ajudam a dar peso à aventura.
A dublagem brasileira merece destaque especial
Outro ponto que chama atenção é o cuidado dedicado à localização para o português brasileiro.
A produção reúne nomes extremamente conhecidos da dublagem nacional, incluindo Carol Valença, Guilherme Briggs, Adriana Torres, Reginaldo Primo, Flávia Saddy e Léo Rabelo.
O trabalho realizado pelo elenco eleva consideravelmente a qualidade das cenas narrativas. Os diálogos possuem boa interpretação, personalidade e ajudam a tornar os personagens mais carismáticos ao longo da jornada.
Em muitos momentos, a dublagem acaba se tornando um dos grandes diferenciais da experiência para o público brasileiro.
A exploração é justamente onde o jogo encontra suas maiores dificuldades
Apesar de todas as qualidades, Fading Echo apresenta um problema que acaba impactando diretamente o ritmo da campanha.
A exploração dos cenários frequentemente se torna confusa.
A proposta de oferecer liberdade ao jogador é válida e evita o excesso de marcadores ou indicações visuais. Porém, após as primeiras horas, diversos ambientes passam a apresentar layouts pouco intuitivos, dificultando a identificação do caminho correto para avançar.

Em várias situações é comum revisitar áreas já exploradas sem perceber ou gastar mais tempo do que o necessário procurando uma rota específica.
O problema não está na ausência de linearidade, mas sim na forma como alguns mapas foram construídos. Enquanto os quebra-cabeças demonstram um design extremamente cuidadoso, certas áreas da exploração parecem não atingir o mesmo nível de refinamento.
Como a navegação ocupa uma parte significativa da campanha, essa questão acaba afetando a experiência de maneira perceptível.
O combate diverte, mas não evolui tanto quanto poderia
As batalhas conseguem aproveitar bem o sistema elemental apresentado pelo jogo.
Combinar diferentes propriedades para explorar fraquezas dos inimigos é divertido e adiciona uma camada estratégica aos confrontos. Empurrar adversários para armadilhas ambientais ou utilizar elementos específicos para enfraquecê-los também contribui para tornar os encontros mais interessantes.

Ainda assim, conforme a campanha avança, o combate passa a repetir muitas das mesmas ideias apresentadas nas primeiras horas.
Novas habilidades surgem ao longo da jornada, mas a evolução não é tão significativa quanto a observada nos quebra-cabeças. Isso faz com que as lutas acabem funcionando mais como complemento da exploração do que como o principal atrativo do jogo.
Visualmente, Fading Echo impressiona para um projeto independente
Utilizando a Unreal Engine 5, a Emeteria conseguiu criar cenários visualmente interessantes e cheios de personalidade.
A direção artística aposta em cores vibrantes, efeitos inspirados em histórias em quadrinhos e ambientes que ajudam a transmitir a sensação de um mundo fragmentado entre diferentes realidades.

As cenas narrativas também merecem elogios por utilizarem enquadramentos criativos e uma apresentação que lembra páginas de quadrinhos animadas.
Por outro lado, o uso da Unreal Engine 5 também traz alguns problemas técnicos. Travamentos ocasionais, pequenas quedas de desempenho e carregamentos durante as transições entre dimensões aparecem em determinados momentos da campanha.
Vale a pena jogar Fading Echo?
Fading Echo é um daqueles jogos que conquistam pela criatividade.
Seu sistema elemental funciona muito bem, os quebra-cabeças estão entre os melhores aspectos da experiência e a excelente dublagem brasileira ajuda a dar ainda mais personalidade ao universo criado pela Emeteria.

A exploração confusa e a repetição que surge em alguns momentos impedem que o título alcance todo o potencial de suas ideias, mas não são suficientes para comprometer a aventura.
Para quem gosta de RPGs de ação focados em exploração, puzzles e mecânicas diferenciadas, Fading Echo entrega uma jornada divertida, carismática e repleta de boas ideias que merecem ser conhecidas.
Fading Echo está disponível para PC.
Além disso, Fading Echo pode ser adquirido na Nuuvem, parceira do Anexo Geek.
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*Esta análise foi realizada no PC com uma cópia fornecida pela Emeteria.
