Kernel Hearts: Garotas Mágicas Enfrentam o Apocalipse em um Roguelike de Ação

by Weslei
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Misturar garotas mágicas, criaturas angelicais e combates frenéticos pode parecer uma combinação improvável, mas é justamente essa proposta que dá identidade a Kernel Hearts. Desenvolvido pelo estúdio independente argentino Ephemera Games e publicado pela Whitethorn Games, o título combina elementos de roguelike com ação hack and slash em uma jornada por uma misteriosa Torre de Babel.

A aventura coloca quatro guerreiras com habilidades distintas diante de uma missão extrema: atravessar uma estrutura colossal, enfrentar forças divinas e tentar salvar os últimos sobreviventes da humanidade. Apesar de apresentar um universo criativo e batalhas movimentadas, o jogo também esbarra em problemas de variedade, progressão e balanceamento que podem comprometer a experiência ao longo das partidas.

Uma história de guerra, magia e divindades

A premissa de Kernel Hearts começa com uma versão alternativa da história humana. Após vencer a corrida espacial, a União Soviética encontra na Lua uma garota com poderes extraordinários. A descoberta desencadeia uma disputa internacional para reproduzir essas habilidades e transformá-las em armas, levando a humanidade a uma sequência de conflitos que culmina em um cenário apocalíptico.

Kernel Hearts: Garotas Mágicas Enfrentam o Apocalipse em um Roguelike de Ação

Quando as cinzas começam a cobrir o mundo e uma torre gigantesca surge em meio ao céu, uma nova missão passa a determinar o destino da civilização. É nesse contexto que entra o esquadrão M.A.H.O.U., formado por Fernet, Spika, Laika e Dolce. Cada uma possui características próprias, e as quatro precisam subir a Torre de Babel, enfrentar seus habitantes angelicais e chegar ao topo para confrontar o próprio Deus.

O enredo chama a atenção pela mistura de ficção científica, religião, fantasia e referências à cultura dos animes. A narrativa é apresentada aos poucos, por meio de cenas e conversas opcionais, construindo um mundo que desperta curiosidade mesmo quando deixa algumas explicações em aberto.

Kernel Hearts: Garotas Mágicas Enfrentam o Apocalipse em um Roguelike de Ação

As protagonistas também ajudam a sustentar a aventura. Suas personalidades e interações trazem momentos descontraídos entre as batalhas, enquanto o sistema de relacionamento permite conhecer melhor os integrantes do elenco e descobrir informações adicionais sobre o universo do jogo.

Para desenvolver esses vínculos, é necessário encontrar itens durante as expedições e oferecê-los aos personagens. O aumento da afinidade pode liberar conversas, recompensas e melhorias permanentes. A ideia funciona como incentivo para explorar o lado narrativo, embora a ausência de um histórico para rever diálogos e cenas dificulte acompanhar determinados detalhes.

Outro obstáculo para parte do público brasileiro é a falta de legendas em português, especialmente porque várias informações importantes são transmitidas por meio das conversas.

A Torre de Babel transforma cada expedição em uma corrida contra o tempo

A principal estrutura de Kernel Hearts gira em torno de seis andares que precisam ser atravessados até o confronto final. Em vez de limitar cada combate a pequenas salas fechadas, o jogo aposta em áreas amplas, com caminhos alternativos, pontos de interesse e diferentes oportunidades para fortalecer a personagem.

Os ambientes apresentam paisagens variadas, incluindo campos verdes com ruínas, estruturas suspensas e regiões repletas de plataformas. A direção artística com aparência de anime também contribui para a identidade visual, especialmente nas ilustrações dos personagens e nas cenas narrativas.

Kernel Hearts: Garotas Mágicas Enfrentam o Apocalipse em um Roguelike de Ação

Durante a exploração, o jogador encontra diferentes recursos. As orbes rosadas permitem subir de nível e melhorar atributos, enquanto as azuis servem para adquirir bônus após determinados desafios. Baús, inimigos especiais, itens de cura e personagens que oferecem missões adicionais completam as possibilidades disponíveis em cada área.

Essa variedade de atividades exige escolhas constantes. É possível priorizar o fortalecimento da personagem, procurar melhorias temporárias ou investigar regiões menos acessíveis em busca de recompensas. Como os elementos do mapa mudam de posição entre as tentativas, o percurso não acontece exatamente da mesma maneira em todas as partidas.

Entretanto, existe uma limitação importante: o tempo. Uma barra aumenta progressivamente durante a exploração e, quando chega ao limite, uma entidade divina aparece para eliminar a personagem. Para avançar, é necessário localizar um ponto específico e escapar da área antes que isso aconteça.

A mecânica cria uma tensão interessante, pois impede que o jogador investigue absolutamente tudo. Em contrapartida, pode provocar frustração quando um confronto demora mais do que o esperado ou quando um inimigo persegue a personagem sem dar espaço para seguir adiante.

A estrutura aberta oferece liberdade, mas essa vantagem perde força quando os cenários apresentam pouca variação entre as partidas. Mesmo com mudanças na distribuição de itens e pontos de interesse, revisitar as mesmas regiões acaba tornando a progressão repetitiva.

Combate hack and slash com quatro estilos diferentes

É durante as batalhas que Kernel Hearts demonstra boa parte de seu potencial. O sistema combina ataques leves e pesados, esquivas, saltos e habilidades mágicas para criar sequências de golpes terrestres e aéreos contra grupos de adversários.

A movimentação é rápida e incentiva o uso de combinações diferentes, em vez de simplesmente repetir o mesmo ataque. As esquivas também podem ser recompensadas quando executadas no momento certo, abrindo oportunidades para continuar os combos sem interromper o ritmo da luta.

Kernel Hearts: Garotas Mágicas Enfrentam o Apocalipse em um Roguelike de Ação

Cada integrante do esquadrão apresenta uma abordagem própria. Fernet oferece um estilo mais equilibrado, com uma espada curvada e ataques diretos. Spika utiliza uma katana e privilegia velocidade e golpes abrangentes. Laika aposta na força de uma espada pesada, enquanto Dolce utiliza um chicote e depende mais do posicionamento e da distância para aproveitar seus ataques.

As diferenças ajudam a dar personalidade às personagens e incentivam a experimentação. Além dos golpes básicos, é possível obter magias e desbloquear transformações temporárias que ampliam o poder ofensivo durante os confrontos.

O problema é que a variedade de movimentos poderia ser maior. Em algumas situações, a quantidade de efeitos na tela também dificulta identificar os ataques inimigos, prejudicando a leitura da ação. O tutorial deixa dúvidas sobre certas mecânicas, obrigando o jogador a aprender parte dos sistemas por tentativa e erro.

A variedade de adversários também não acompanha a qualidade da proposta. Muitos inimigos se repetem, e parte dos chefes apresenta padrões previsíveis e pouco marcantes. Existem confrontos mais interessantes, mas eles não são suficientes para manter o mesmo nível de entusiasmo durante toda a jornada.

Progressão irregular pode transformar diversão em repetição

Como todo bom roguelike, Kernel Hearts depende de melhorias obtidas durante as partidas e de recursos permanentes que ajudam a preparar as próximas tentativas. Nesse aspecto, porém, o jogo nem sempre encontra o equilíbrio adequado.

O sistema de evolução permite aumentar atributos e adquirir novas habilidades, mas as recompensas dependem das opções que aparecem durante a exploração. A combinação de escolhas aleatórias com limites de tempo pode impedir que uma personagem desenvolva o estilo desejado antes de avançar para áreas mais difíceis.

A progressão permanente utiliza chips que podem ser comprados com moedas obtidas ao longo da aventura. Esses aprimoramentos ajudam a melhorar características importantes, mas a aquisição pode ser demorada, principalmente nas primeiras horas.

O resultado é uma curva de evolução irregular. Em determinadas partidas, a personagem pode parecer pouco preparada para enfrentar os inimigos seguintes, enquanto os adversários passam a suportar mais dano. Quando as melhorias disponíveis também não correspondem às necessidades da situação, o desafio pode deixar de parecer estratégico e se tornar desgastante.

A dificuldade ainda varia bastante dependendo da configuração escolhida. Os relatos reunidos nas análises consultadas apontam que o modo mais acessível pode reduzir demais a resistência dos inimigos e ampliar consideravelmente o tempo disponível, enquanto a dificuldade normal pode exigir longos confrontos e uma administração bastante rígida dos recursos.

A aleatoriedade faz parte da identidade do gênero, mas funciona melhor quando oferece alternativas capazes de renovar as estratégias. Em Kernel Hearts, a limitação de recompensas e a repetição dos ambientes diminuem esse efeito, tornando algumas tentativas menos interessantes do que poderiam ser.

Cooperativo para até quatro jogadores

A possibilidade de reunir até quatro jogadores é um dos recursos mais promissores do título. Como cada guerreira tem habilidades e características próprias, o modo cooperativo pode favorecer a divisão de tarefas, a combinação de estilos de combate e o enfrentamento de hordas mais numerosas.

A exploração também parece adequada para partidas em grupo, já que os mapas possuem diferentes pontos de interesse e exigem decisões sobre onde investir tempo. Jogar com amigos pode tornar a experiência mais dinâmica e ajudar a reduzir a pressão de lidar com todos os desafios individualmente.

No entanto, é importante não tratar o cooperativo como uma solução garantida para os problemas de balanceamento. Uma das análises fornecidas não conseguiu testar o modo durante o período de avaliação, enquanto outras destacaram dificuldades relacionadas à progressão e à repetição mesmo fora desse contexto. Portanto, o impacto real do multiplayer pode variar conforme a composição do grupo e a experiência de cada jogador.

Visual inspirado em anime e trilha sonora marcante

O estilo visual é um dos pontos fortes de Kernel Hearts. Os retratos das personagens apresentam expressões marcantes, e as cenas ilustradas ajudam a transmitir suas personalidades. Durante a exploração, o jogo utiliza cenários tridimensionais com estética inspirada em anime, acompanhados por diferentes paletas de cores e construções que dão identidade aos ambientes.

Existe alguma diferença entre o acabamento das ilustrações e o visual durante a ação, mas a direção artística mantém uma identidade própria. As animações e os efeitos mágicos reforçam a atmosfera fantástica da aventura, ainda que o excesso de elementos na tela possa atrapalhar a leitura de alguns confrontos.

A trilha sonora também merece destaque. As composições ajudam a construir o clima misterioso do mundo e ganham intensidade durante as batalhas contra chefes, contribuindo para momentos em que a narrativa, por si só, deixa perguntas sem resposta.

Kernel Hearts tem boas ideias, mas precisa de ajustes

Kernel Hearts apresenta uma combinação interessante de garotas mágicas, mitologia, exploração e combate acelerado. A proposta de atravessar áreas abertas enquanto se administra o tempo oferece uma alternativa aos roguelikes estruturados em pequenas salas, e as quatro protagonistas acrescentam variedade ao sistema de ação.

Por outro lado, a repetição dos cenários e inimigos, a progressão lenta e os desequilíbrios na dificuldade limitam o aproveitamento das mecânicas. A falta de legendas em português também pesa em uma experiência que utiliza bastante diálogo para desenvolver seu universo.

O jogo demonstra potencial, principalmente para quem gosta de ação com estética de anime e pretende experimentar o cooperativo com amigos. Ainda assim, os problemas de ritmo e evolução tornam a recomendação mais cautelosa para quem prefere jogar sozinho ou busca uma experiência roguelike com grande variedade entre as partidas.

Kernel Hearts está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC.

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*Esta análise foi realizada no PS5 com uma cópia fornecida pela Whitethorn Games.

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