Desde que estreou no Prime Video, The Boys conquistou milhões de fãs ao apresentar uma versão completamente distorcida do universo dos super-heróis. Em vez de salvadores altruístas, a série mostra figuras poderosas movidas por ego, corrupção e violência extrema. Transformar esse mundo em um jogo de realidade virtual parecia uma escolha natural, e The Boys: Trigger Warning tenta justamente colocar o jogador no centro desse caos.
A boa notícia é que a adaptação respeita a essência da franquia. A má é que, apesar de entregar momentos memoráveis, o jogo deixa a sensação de que poderia ter ido muito mais longe. Entre poderes divertidos, muito fan service e mecânicas repetitivas, a experiência alterna altos e baixos durante toda a campanha.
Uma história inédita que se encaixa bem no universo da série
Em vez de assumir o controle de Billy Bruto ou Capitão Pátria, o jogador conhece Lucas Costa, um homem comum que tem sua vida destruída após um encontro com a família Armstrong, um grupo de supers criado exclusivamente para o jogo.
À beira da morte, Lucas recebe uma dose de Composto V e passa a integrar os planos dos Boys para eliminar os responsáveis pela tragédia. A partir daí, a narrativa acompanha uma clássica jornada de vingança enquanto o protagonista invade instalações da Vought em busca dos integrantes da família Armstrong.

A escolha de utilizar personagens inéditos funciona muito bem. Isso permite contar uma história própria sem interferir diretamente nos acontecimentos da série, enquanto participações de rostos conhecidos reforçam constantemente a ligação com o universo criado por Garth Ennis.
Controlar superpoderes é o ponto mais divertido da experiência
O grande destaque de The Boys: Trigger Warning está nas habilidades concedidas ao jogador.
Logo nas primeiras horas, Lucas já utiliza telecinese para arremessar objetos, eliminar inimigos silenciosamente e manipular elementos do cenário. Conforme a campanha avança, novos poderes temporários passam a integrar o arsenal.

Entre eles estão lâminas gigantes capazes de cortar adversários com facilidade, camuflagem para infiltrações e os icônicos raios laser disparados pelos olhos, uma clara referência ao Capitão Pátria.
A sensação de experimentar essas habilidades em realidade virtual funciona muito bem. Arremessar soldados contra paredes, explodir cabeças ou abrir caminho usando poderes devastadores transmite exatamente a fantasia de se tornar um super-humano.
O jogo entende que esse é seu principal atrativo e faz questão de apresentar novas possibilidades ao longo da campanha para manter a experiência interessante.
A furtividade domina quase toda a campanha
Apesar dos poderes sugerirem uma aventura focada em destruição desenfreada, a maior parte da campanha aposta na furtividade.
Grande parte das missões acontece dentro de laboratórios, corredores da Torre Vought e instalações corporativas, onde o jogador precisa evitar câmeras, passar por dutos de ventilação, hackear computadores e eliminar guardas discretamente.

Durante as primeiras horas, essa estrutura funciona bem. A combinação entre teleporte, visão especial e telecinese oferece diferentes maneiras de superar cada desafio.
Entretanto, conforme a campanha avança, a repetição começa a aparecer. Muitos objetivos seguem praticamente a mesma fórmula, alternando apenas o cenário ou o poder utilizado naquele momento.

A inteligência artificial compromete parte da imersão
O combate diverte graças aos poderes disponíveis, mas a inteligência artificial dos inimigos frequentemente quebra a tensão.
Guardas deixam de perceber movimentações evidentes, ignoram corpos espalhados pelo cenário e, em diversas situações, basta esperar alguns segundos para que qualquer alerta seja completamente esquecido.
Essa simplicidade reduz bastante o desafio das missões furtivas e faz com que, em vários momentos, partir para o confronto direto seja tão eficiente quanto agir silenciosamente.
Embora existam chefes e alguns inimigos mais resistentes, o jogo raramente exige estratégias muito diferentes ao longo da campanha.
Atmosfera da série está presente do início ao fim
Se existe um aspecto que a ARVORE conseguiu reproduzir com competência, foi a identidade de The Boys.
A violência gráfica aparece constantemente, acompanhada pelo humor ácido e pelos diálogos carregados de sarcasmo característicos da franquia.

Diversos atores da série retornam para dublar seus personagens, aumentando ainda mais a sensação de autenticidade. Billy Bruto, Mother’s Milk, Ashley e Soldier Boy aparecem em momentos importantes da campanha, enquanto novos personagens conseguem se encaixar naturalmente nesse universo.
Mesmo para quem nunca assistiu à série, a narrativa funciona por conta própria. No entanto, fãs certamente aproveitarão melhor as inúmeras referências espalhadas durante a aventura.
Visual competente, mas com limitações técnicas
Visualmente, The Boys: Trigger Warning aposta em um estilo estilizado em vez de buscar realismo absoluto.
Os personagens principais são facilmente reconhecíveis, mas algumas animações faciais parecem rígidas e certos cenários acabam transmitindo uma sensação de repetição.

Também aparecem pequenos problemas técnicos durante a campanha, incluindo bugs ocasionais, falhas de colisão e quedas de desempenho em alguns momentos mais intensos.
Nenhum desses problemas compromete completamente a experiência, mas eles impedem que o jogo alcance um nível de acabamento comparável aos principais títulos de realidade virtual da atualidade.
Vale a pena?
The Boys: Trigger Warning acerta ao transportar para a realidade virtual toda a irreverência, o humor ácido e a violência exagerada que transformaram a série em um fenômeno mundial.
A campanha oferece momentos bastante divertidos, principalmente quando o jogador desbloqueia novos poderes e passa a experimentar diferentes formas de enfrentar os inimigos. Além disso, a história inédita consegue expandir esse universo sem depender apenas dos protagonistas conhecidos.

Por outro lado, a repetição das missões, a inteligência artificial limitada e a pouca variedade das atividades impedem que o jogo alcance todo o potencial que sua proposta sugere.
Para fãs de The Boys, a experiência vale a visita e entrega diversos momentos marcantes. Já quem procura um VR revolucionário provavelmente encontrará uma aventura competente, mas distante dos melhores representantes do gênero.
The Boys: Trigger Warning está disponível para Meta Quest e PlayStation VR2.
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*Esta análise foi realizada no PSVR2 com uma cópia fornecida pela ARVORE
